Sábado, 9 de Junho de 2007

15ª Proposta às 7 Maravilhas de Carção

 

00011ay5

                          Retábulo das Almas: localizado no lado do Evangelho da Igreja Matriz de Carção

 

 

0002ekzf

     Pormenor: Figura zoomórfica (simbolização da Boca do Inferno)

 

 

0002fkcf

     Pormenor: Demónio com uma engancha nas mãos

 

 

Retábulo das Almas

 

            Este prodígio, situa-se na parte lateral do lado do Evangelho da Igreja Matriz.

            É sem dúvida o de maior interesse e o que apresenta maior valor artístico neste templo, podendo verificar-se ornatos desde o estilo barroco nacional, ao joanino e rococó. Derivado a esse facto, podemos concluir que o retábulo foi executado no primeiro quartel do século XVIII e reaproveitado posteriormente, já no período rococó para as formas que hoje ostenta.

            «Em relação à planta, é de perspectiva côncava, acentuada pela profundidade do painel central, de um corpo e três tramos.

            No sotobanco, a mesa de altar está ornamentada com pequenos caules que brotam folhas, flores e ao centro concheados.

            O banco é composto de quatro painéis em cada lado e sacrário. Os painéis que suportam as colunas, exibem cabeças de serafins bem ao estilo do barroco nacional e os restantes, apresentam motivos florais e volutas.

            Ao centro, o sacrário é já do período rococó, adornado com concheados e volutas. A porta apresenta símbolos da Ressurreição de Cristo.

            No corpo do retábulo, as colunas apresentam o capitel compósito e fuste pseudo-salomónico, de sete espiras. Os bojos são lisos, sem ornamentação e os cavados ostentam caules e uma grande variedade de flores e folhas, já da última fase do estilo nacional, de transição para o estilo joanino.

            As pilastras, situadas na extremidade do corpo, exibem também motivos florais e volutas.

            No entablamento, os painéis do friso que estão no seguimento das colunas apresentam cabeças de serafins e os restantes, que estão no seguimento das pilastras, irrompem florões.

            No tramo central, o painel é composto por um arco agudo ou quebrado e figuras em alto-relevo, dividido em três planos distintos – o Inferno, o Purgatório e o Céu.

            No primeiro plano, em baixo, surge a representação do Inferno, totalmente ladeado de labaredas e de almas penadas. No lado esquerdo ao observador, irrompe a cabeça de uma figura zoomórfica de boca aberta, simbolizando a Boca do Inferno. Ao centro exibe um Demónio com uma engancha onde vai empurrando as almas condenadas no seguimento da boca da figura zoomórfica para o alimentar. Entre outras, saliente-se também uma alma com uma serpente em redor do seu pescoço, induzindo-nos a estrangulação. É de facto um plano bastante dramático, podemos verificar o terror a que as almas estão expostas caso sejam condenadas às profundezas do Inferno. No centro do painel, irrompe o segundo plano – a representação do Purgatório –, com destaque para a imponente imagem de São Miguel, de escudo e lança nas mãos a seleccionar as almas. A ladeá-lo, aparecem algumas almas que entre as labaredas vão pedindo clemência de mãos juntas, a rezar ou com uma mão erguida a tentar agarrar-se a algo para não caírem no precipício do Inferno. De destacar também algumas almas salvas em direcção ao Céu. Neste segundo plano, surge também no lado esquerdo a figuração do sol (simbolização do dia), no lado direito a lua (simbolização da noite) e alguns querubins. No topo rompe o terceiro plano com a representação do Paraíso. Sob peanhas está representada a Santíssima Trindade pelo Pai Eterno no lado direito e Jesus Cristo no lado esquerdo e ao centro uma pomba, símbolo do Espírito Santo. Um pouco mais abaixo, surge ainda a representação da Virgem Maria, os Bem-Aventurados e algumas cabeças de serafins. 

            No remate, o arco exibe no seu arranque um serafim e no seguimento, enrolamentos. Nas extremidades, irrompem pilastras ornamentadas com volutas, flores, concheados e no topo, dois plintos.

            Sobre o painel, de destacar também o grande dossel que se transforma em voluta. Nas suas orlas, irrompe um rendilhado em franja induzindo-nos já o estilo joanino.

            O coroamento é triangular e está ornamentado com concheados e flores.

            É de acentuar o interessante painel narrativo referente à vida após a morte, através da dramatização e didáctica incutida ao observador.

            Em 1751, o Pe Luiz Cardoso não refere a existência do retábulo das Almas.         Posteriormente também não aparece documentação deste retábulo, levando-nos a concluir o que já foi referido no início do texto (reaproveitamento para um novo retábulo ou algum incêndio que tenha deflagrado na igreja, como era muito usual nestas alturas). É também de salientar as grandes semelhanças entre este e o painel das Almas da povoação de Moredo (concelho de Bragança) podendo concluir que o artista ou oficina fossem o mesmo, embora também não tenhamos registos do entalhador do retábulo de Moredo. Outra das hipóteses da realização desta obra é o entalhador Francisco Xavier Machado, que em 1768 executou o retábulo-mor da Igreja Matriz, podendo também trabalhar este retábulo»[1].

 


[1] LOPES, Paulo, in revista Almocreve, edição nº2, “A Talha dourada na povoação de Carção – os retábulos entre o último quartel do século XVII até metade do século XIX – Altar das Almas”, pp. 34 – 35.

 

 

publicado por almocreve às 00:44
link do post | comentar | favorito
|
1 comentário:
De Susana a 14 de Junho de 2007 às 22:06
Olá mestre! como estás.
O retábulo é lindíssimo.

Comentar post

Participa na Almocreve 2009

 

Contactos:

paulolopes78@hotmail.com

carcao@hotmail.com

.

.

.

.

.

Envie-nos fotos, artigos e outros...

paulolopes78@hotmail.com

hit counter

.pesquisar

 

.favoritos

. Algumas orações dos marra...

.links

.as minhas fotos

.arquivos

blogs SAPO

.subscrever feeds