Domingo, 17 de Agosto de 2008

Mais uma referência de Carção no jornal Mensageiro

Associação dos Almocreves lança dois livros e revista anual, para promover e preservar a história e cultura da aldeia que ostenta, no seu actual brasão, o candelabro de sete braços

 

“Carção: A Capital do Marranismo” é o título de um de dois livros editados pela Associação Cultural dos Almocreves de Carção. Nesta edição, os autores, António Júlio Andrade e Maria Fernanda Guimarães, investigaram 50 dos 250 processos documentados na Torre de Tombo, respeitantes a judeus perseguidos pela Inquisição por “crime religioso”, entre 1638 e 1742. A perseguição à comunidade judaica determinou que, só na aldeia de Carção, dos 50 processos investigados tivessem resultado 18 fogueiras (número de condenados a serem queimados vivos). Outros acusados de prática de judaísmo estiveram presos ou foram condenados ao degredo no Brasil. “Foi uma aldeia muito massacrada. Dos 50 processos estudados resultaram, pelo menos, 18 pessoas que foram queimadas nas fogueiras de Carção, o que é muita coisa”, considera Paulo Lopes, presidente da Associação Cultural dos Almocreves de Carção. Segundo os autores, esta publicação resulta de um trabalho muito mais vasto, que em breve deverá ser publicado. Na publicação anual da Associação dos Almocreves, com o mesmo nome, os autores explicam que a comunidade judaica nesta região deverá remontar à altura da expulsão dos judeus de Espanha, por volta do ano 1492 (data do decreto de Alhambra que determinou a expulsão dos judeus), com os Reis Católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, conhecidos por terem sido determinantes para a criação da Espanha, como nação, e também pela perseguição que moveram a todos os que não fossem católicos. Os autores do livro explicam que os judeus expulsos de Espanha entraram em Portugal, mediante o pagamento de um imposto, e ficaram numa espécie de campos de refugiados, situados em aldeias como Carção. Daí, os mais ricos terão partido para outras localidades mais urbanas, enquanto os mais pobres permaneceram nessas terras . Mais tarde a Inquisição seria instaurada em Portugal e os judeus destas terras teriam que se converter, fugir ou arder nas fogueiras. Muitos convertidos acabavam por ser acusados, mediante denúncias. Segundo os autores do livro, em 1638 teve lugar a primeira prisão, na aldeia de Carção, em nome do Santo Ofício. Em 1660 foi presa uma família inteira. Um breve resumo da obra, publicada na revista Almocreve, apresenta os vários tormentos por que passou a comunidade, as denúncias constantes de que se abatiam sobre qualquer “cristão-novo” e os meandros desses processos de terror. Entre 1691 e 1701 terão sido presas, na aldeia, 130 pessoas, acusadas de judaísmo. Além da Associação dos Almocreves, apoiaram esta edição a Carção Caramigo- Associação de Melhoramentos, a Junta de Freguesia e o município de Vimioso. Curiosamente, a Junta de Freguesia desta “capital do marranismo”, apesar de já não ter verdadeiros judeus nas suas imediações (pelo que se sabe), ostenta no seu brasão o candelabro de sete braços, símbolo de judaísmo.

Pedacinho de um reino “maravilhoso”

Além da edição sobre os marranos e a perseguição de que foram alvo, a associação lançou um outro livro, que apresenta uma outra visão desta terra, afinal uma “terra maravilhosa”. “Carção, um Pedacinho do Reino Maravilhoso”, de Sofia Jerónimo, nascida em Carção, é um livro de poesia inspirado naquela aldeia do concelho de Vimioso. Na introdução a autora explica que o livro é “um pequeno historial da milenar aldeia de Carção”, o seu berço natal. A autora procurou retratar, através da poesia, “costumes, preconceitos, actividades, crenças, recursos socioeconómicos, mentalidade, ocorrências”, entre outras coisas, tudo ditado pelo amor que a autora confessa nutrir pela terra que a viu nascer e crescer. Esta edição contou também com o apoio da Almocreves, da Carção Caramigo e da Junta de Freguesia. Ambos os livros serão apresentados no próximo dia 29 de Agosto, às 16h00. Nessa data a Almocreves apresenta ainda a revista sobre a aldeia, que edita anualmente com o objectivo de “divulgação da povoação da cultura de Carção”, explica Paulo Lopes. Esta será a sexta edição da revista que apresenta vários artigos, entre recolhas de ditos e poemas populares, poesias inéditas, análises sociológicas, antigas tradições perdidas, um artigo sobre emigrantes de Carção no Brasil e outros. Na apresentação das edições e da revista a Associação organiza a segunda edição da Feira de Artesanato, que decorre nesse último fim-de-semana de Agosto. “O ano passado era uma experiência e correu muito bem. Além da feira fizemos uma exposição sobre tecelagem. Este ano vamos continuar e ampliá-la mais”, acrescenta Paulo Lopes. Ao todo vão estar 15 artesão. A edição da revista, dos livros e a organização da Feira são algumas das iniciativas que esta associação procura desenvolver, para cumprir os seus objectivos de divulgação e dinamização da aldeia. Outras iniciativas são levadas a cabo on-line, em blogs de divulgação (http://almocreve.blogs.sapo.pt/).

 

veja a notícia no Mensageiro, em: http://www.mdb.pt/

publicado por almocreve às 23:52
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