Sábado, 31 de Março de 2007

6ª Proposta às 7 Maravilhas de Carção

 

Retábulo-mor de Santa Marinha

 

 

            O retábulo-mor de Santa Marinha deve ter sido executado por volta de 1777, altura da edificação da capela, pertencendo ao estilo rococó.

            Esta maravilha é de facto vistoso, um dos melhores exemplares deste estilo de todo o concelho, destacando-se pelos exagerados movimentos, pena é, que a pintura original tenha sido substituída por outra “de péssima qualidade” que, com toda a certeza, não foram respeitadas as cores originais, descaracterizando-o e dificultando-o numa melhor leitura.

            Relativamente à composição do retábulo, apresenta uma planta de perspectiva plana ou recta, de um corpo e três tramos.

            O sotobanco como acontece em muitos exemplares da região já foi alterado, presentemente é simples, sem ornamentação.

            No banco, os painéis estão ornamentados com concheados. As mísulas têm uma estrutura convexa, onde as exteriores exibem enrolamentos e as interiores, concheados.

            O sacrário tem uma forma sinuosa, ornamentada com concheados, volutas e um florão. A porta é ovalada onde apresenta símbolos da Ressurreição de Cristo. Todo o restante revestimento é composto por flores e volutas.

            No corpo do retábulo, as colunas apresentam o fuste liso, sem base e os capitéis com uma corola de folhas fechadas.

            Entre os intercolúnios irrompe uma peanha encimada por uma forma esférica com concheados em volutas, de suporte a uma pequena imagem de vulto.

            O painel central tem um arco concêntrico. Ao centro, desponta uma peanha em forma convexa, encimada por uma forma esférica que suporta a imagem de Santa Marinha. O fundo está pintado com flores.

            O entablamento é interrompido pelo arco do painel. O friso e a cornija são simples e arquitrave apresenta caneluras na horizontal.

            O remate apresenta quatro pilastras ornamentadas por concheados em volutas tal como todos os painéis.

            Entre o arco da tribuna e coroamento, surge um resplendor ornamentado por três cabeças de serafins.

            O coroamento é feito por uma concha.

            Este retábulo destaca-se principalmente pela irregularidade de seus traços e grande movimentação.

              Para saber mais sobre este e outros retábulos de Carção, ver "Almocreve nº 2 - A Talha dourada na povoação de Carção - os retábulos entre o último quartel do século XVII até metade do século XIX -, pp.29 à 40".

 

 

publicado por almocreve às 00:33
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Quarta-feira, 28 de Março de 2007

Cultura Popular: Flores y Brancaflor

 

 

"As Respigadeiras" - Jean-François Millet

 

        Ontem ao fazer uma pequena pesquisa na net, deparei-me com esta canção/romance recolhida em Carção em 1980, talvez cantada em muitas etapas da lavoura: na ceifa, segada, vindimas, colheita da batata... e não resisti em colocá-la antes da edição 2007 da Almocreve!

 

 

 

      Flores y Blancaflor

 

 

          Mouros partem mar abaixo,

          Mouros partem mar acima.

          Queremos uã cristã

          Para nossa rainha.

          Deram com o conde Flores

          (---------------------------)

          Que vinha de Santiago,

          Santiago da Galiza.

          Matem o conde

          E a condessa foi cativa.

          Levam-na p´ra mouraria

          E entregam-na à rainha.

          Aqui tem, minha senhora,

          Uma criada cristã,

          Por não se fintar em mouras,

          Que lhe dêem feitiçaria.

          Aqui lh´entrego estas chaves

          Da dispensa e da cozinha.

          Que não me finto em mouramas,

          Que me dão feitiçaria.

          Ai triste de mim, coitada,

          Triste de mim, mofina!

          Onte condessa iurada,

          Hoje moça de cozinha.

 

          (passaram uã temporada)

 

          Como vai, minha criada,

          Como vai criada minha?

          Vai bem, senhora,

          Vai bem senhora minha.

 

          (Mas ambas as duas tiveram cada uã o seu menino)

 

          Se estivesses em tua terra

          Que nome punhas a teu menino?

          Poria-le Branca Flor,

          Que era o nome duma irmã minha.

          E tu, se estivesses na tua terra, como le punhas ao teu?

          Punha-le o conde Flores,

          Que era o meu marido que eu tinha.

          Pelos sinais que me dás,

          Tu és uã irmã minha.

          Juntaram muitas riquezas

          De jóias e pedrarias;

          Uã noite abençoada

          Fogem da mouraria.

          Chegaram à margem do rio,

          Que atravessá-lo não podia.

          O mouro, ao dar por elas,

          Atrás delas iria.

          Passa-me barqueiro,

          Passa-me por tua vida.

          Não vos passo, senhoras,

          Que o mouro me mataria.

          Passa-me cristão,

          Passa-me pela tua vida

          Que vale mais um cristão

          Que quantos moiros havia.

          Diz-me lá o que queres,

          Que tudo te daria.

 

          (Passou-as. Veio o mouro:)

 

          Passa-me, barqueiro,

          Passa-me por tua vida.

          Não o passo, senhor,

          Que o senhor me mataria.

          (Não, passa-me, que vou atrás das minhas criadas.

          Não, que as criadas são cristãs e o senhor é mouro,)

          E se o passo, a elas, a mim mataria.

          Passa-me, barqueiro, passa-me,

          Passa-me por tua vida;

          Se elas pagaram a prata,

          A ouro t´eu pagaria.

          Nem por prata nem por ouro,

          Eu nunca o passaria.

          ------------------ chorare

          Nestas pedras d´amargura:

          Duas irmãs que eram,

          Eu não alcancei nenhuma.

 

Recitada em Carção por: António Albino Machado Andrade em 01 - 08 - 1980 (67a).

 

Recogida por Manuel da Costa Fontes e Maria - João Câmara Fontes

 

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Sábado, 24 de Março de 2007

5ª Proposta às 7 Maravilhas de Carção

Retábulo de São Roque

           

            A capela de São Roque situa-se a uma altitude de 711 metros, de fronte para a povoação.

            Não existem documentos que abordem a edificação da capela assim como do seu retábulo. O primeiro documento data já de 1751, onde o Pe. Luiz Cardoso, refere: «Ha dentro deste Lugar as Ermidas de S. Roque...»1.

            O retábulo é o mais antigo e de maior valor artístico de toda a povoação, pertencendo ao período de estilo barroco nacional, entre o último quartel do século XVII (1675) até ao primeiro quartel do século XVIII.

            Esta maravilha artística, derivada à sua estrutura e ornamentação deve ter sido executado nos finais do século XVII ou inícios do século XVIII (entre 1690 a 1700), uma vez que ainda apresenta algumas influências do período anterior (maneirismo).

            A planta é de perspectiva côncava de um corpo e três tramos.

            No sotobanco, a mesa de altar já não é a original. Inicialmente, deveria apresentar um grande painel ornamentado com enrolamentos de acanto ou então coberto com um tecido que se deveria alterar conforme as cerimónias. Sobre esta, presentemente surge um painel pintado a imitar o mármore e três florões em alto-relevo, quadriculares.

            No banco, os painéis que suportam as colunas exibem enrolamentos de acanto. Os que estão no seguimento das pilastras florões e o central, que está no prosseguimento da tribuna, entre as folhas de acanto irrompe uma cabeça de serafim.

            No corpo do retábulo, as colunas são de capitel compósito e fuste em espiral (colunas pseudo-salomónicas) com seis bojos e cinco cavados ornamentados com motivos eucarísticos (parras, cachos de uvas e pássaros). Usualmente, as uvas são constituídas por um ou dois cachos de bagos bem rechonchudos e os pássaros ou fénices (símbolo da ressurreição) apresentam particularismos bastante interessantes e pouco usuais na região, tais como: exibirem entre o bico bagos de uvas, com o bico a arranjar vaidosamente as suas plumas ou simplesmente a debicar os cachos.

            Na tribuna irrompe uma peanha ornamentada com enrolamentos de acanto de suporte à pequena imagem de São Roque.

            No entablamento, os painéis do friso são compostos por florões. A arquitrave e a cornija apresentam pequenos enrolamentos de acanto.

            Nas extremidades do corpo do retábulo (entre o banco e entablamento) surgem enrolamentos, volutas e folhas de acanto, bem ao gosto do período maneirista.

            O remate exibe dois arcos concêntricos e uma aduela, que nos fazem lembrar as portadas românicas e manuelinas. O arco espiralado, que dá seguimento às colunas interiores, está ornamentado com folhas de parra, cachos de uvas e pássaros (a debicar as folhas) e o arco apainelado, localizado no seguimento das pilastras, apresenta folhas de acanto, assim como a aduela.

            O coroamento é feito através de um pássaro que se encontra sobre a aduela que poderá simbolizar o Espírito Santo.

            Embora não seja um retábulo monumental é de assinalar o valor artístico que comporta, pois as alterações sofridas ao longo dos séculos foram quase nulas (apenas o sotobanco já não é o original) ao contrário do que temos vindo a verificar em grande parte dos exemplares investigados na região da Terra Fria.

            Também gostaria de apontar a degradação verificada, principalmente a desastrosa pintura. Os dourados que tantos caracterizam os retábulos barrocos, foram substituídos por cores inimagináveis que retiram a leitura do retábulo, pintado talvez por algum curioso ou que pouco ou mesmo nada entendia sobre o seu valor e técnicas aplicadas na época.

            Se gostar de saber mais acerca deste e outros retábulos, ver mais informações na Almocreve nº 2 “Talha Dourada na povoação de Carção – os retábulos entre o último quartel do século XVII até metade do século XIX”, pp. 29 – 40.  



1 Cardoso, P. Luiz, Diccionario Geografico, Tomo II, Lisboa, 1751.

publicado por almocreve às 20:37
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Quinta-feira, 22 de Março de 2007

4ª Proposta às 7 Maravilhas de Carção

Vista da "Ponte Nova" sobre o rio Maçãs

Vista dos "pingões de gelo" nos gélidos dias de inverno

 

Ponte Nova

            A “Ponte Nova”, assim designada pelos populares é um edifício recente, construído nos anos 50.

            Quem se dirige de Carção à sede de concelho, a meio do percurso, sobre o rio Maçãs irrompe este prodígio arquitectónico, entre dois grandes penedos de grande altitude.  

            O enquadramento entre a paisagem natural e edifício é perfeito assim como toda a simbologia que representa para os populares. No meu ponto de vista, “Ponte Nova” simboliza rotura com o passado e o renascer de uma nova vida – época da emigração, novas tecnologias (primeiras viatura) e deixar o isolamento que até então persistiu.

            Em relação ao espaço envolvente, destaca-se a abundância de espécies de flores campestres, árvores, animais selvagens, pequenos ribeiros e nos gélidos dias de Inverno premeia-nos com “grande pingões” espetados nas rochas. Entre os grandes penedos, também são visíveis inúmeras grutas fazendo-nos considerar que outrora poderiam ter servido de refúgio ao homem pré-histórico, embora até ao momento não haja grandes indícios da sua existência. Sabemos apenas que a sua utilidade foi constante no decorrer de vários séculos como abrigo aos pastores e animais selvagens. Dizem também os mais velhos que foi para estas grutas que os cristãos se refugiaram de um duro confronto com os mouros.  

            Actualmente, continua a ser passagem importantíssima de ligação e união do concelho, entre as antigas povoações do extinto concelho de Outeiro (Matela, Santulhão, Argoselo e Carção) com as restantes do concelho assim como, passagem obrigatória para Terras de Miranda. 

            É também um dos espaços predilectos de lazer dos carçonenses paras atenuar e desfrutar das altas temperaturas em Agosto.

            Derivado à sua simbologia, paisagem e importância para o concelho, pensamos que este edifício deveria estar entre as propostas às 7 maravilhas de Carção.

            Infelizmente, não temos muita informação mas caso nos queira ajudar a completar e valorizar este prodígio arquitectónico, envie-nos mais informações.

 

publicado por almocreve às 00:30
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Domingo, 18 de Março de 2007

3ª Proposta às 7 Maravilhas de Carção

Ponte Velha

            A Ponte Velha situa-se entre o termo de Carção e Vimioso. O cenário entre a beleza natural e arquitectónica é deslumbrante. Entre uma grande variedade de flores agrestes, rochas de extrema sinuosidade e irregularidade, riachos, arvoredos e moinhos degradados, irrompe sobre o rio Maçãs a velhinha mas imponente ponte com o seu arco de volta perfeita, fazendo-nos recordar as grandes obras e invenções do povo romano. 

            Não sabemos se esta magnífica obra foi edificada pelos romanos, pois alguns estudiosos assinalam a sua edificação por volta do século XIII ou XIV, pertencendo ao estilo românico.

            A partir do século XV, altura que Carção se torna numa das povoações mais importantes de Trás-os-Montes derivado ao comércio e várias indústrias, a ponte torna-se num marco muito importante para a povoação e outras, pois era das poucas passagens existentes para as pessoas se dirigirem ao concelho de Vimioso e Miranda e para estes, do mesmo modo, das únicas passagens em direcção ao extinto concelho de Outeiro do qual Carção pertenceu até 1853 e concelho de Bragança, como o documento adiante nos revela.        

            A 25 de Junho de 1814 a ponte já se encontrava em grave estado de degradação, ameaçando ruir a qualquer momento. Como o documento nos indica: “A Câmara de Vimioso e autoridades judiciais foram examinar a ponte de Carção sobre o rio Maçãs, que ameaçava ruir. Para este efeito mandaram vir perante elas aos mestres José Fernandes, do lugar de Coelhoso, termo de Bragança, e a João Fernandes, desta vila, para efeito de examinar a dita ponte das ruínas em que se achava nos alicerces e mais partes, os quais vendo e examinando a referida ponte por todos os lados fizeram as declarações seguintes:

            «Que a dita ponte se acha desalinhada no arco principal para a parte desta vila: que o mesmo arco principal se acha fendido de todos os lados até ao sítio aonde se põem os azembres, de tal forma que na passagem que fazem os carros, já treme esta ameaçando uma pronta ruína se não se der uma pronta providência ao seu reparo com incalculável prejuízo público por ser a mesma ponte a única passagem e estrada para o comércio e giro das duas comarcas de Bragança e Miranda, que a mesma ponte se acha falta de calçada em suas guardas, que se precisam estender a parte de Carção e da parte desta vila até sítio onde se acha um penedo à borda da estrada para evitar perigos que já têm algumas vezes acontecido pelo declívio empinado em que se acha, que o calço do referido arco é preciso ser construído e reedificado com cantos de cantaria compridos e portanto melhores do que aqueles poucos que restam ainda e que na reforma do arco se precisa cada duas fiadas de cantos de cantaria meter-lhe duas outras pedras de cinco (a) seis palmos de comprimento para segurança dele vista a pequenês das pedras que sustentam o arco de que procedeu a ruína. E que no arco pequeno da banda de Carção precisa fazer-se um recalco para segurança do mesmo arco metendo-lhe cantos de cantaria no caso de serem precisos, e que as guardas da ponte toda precisarão de ser todas cobertas de cantaria gateadas onde mais fino na frente. E que para esta obra se precisa de três mil cruzados em razão não só da obra dita mas pello motivo dos azembres que se precisam fazer para a dita obra»”.

            No Diário das Cortes da Nação Portuguesa, 2ª legislatura, tomo I, refere-se: «A câmara do Concelho de Outeiro pede prontas providências para o conserto das pontes de Parada e de Carção e ser autorizada para impor a finta de um real em cada quartilho de vinho e em cada arrátel de carne que se vende no concelho por licença da câmara, da mesma sorte que foi concedido à Câmara de Bragança.

            A Comissão é de parecer que estes requerimentos sejam remetidos ao Governo, e quem incumbe dar as providências ordinárias para as obras públicas, enquanto porém à extraordinária da imposição da carne e no vinho; que o Governo mandando examinar e verificar o que as câmaras alegam, informe se há ou não necessidade de recorrer-se a este subsídio, que precisa de determinação das Cortes. Foi aprovado.».    

            Através destes documentos, também podemos verificar que a ponte até 1814 apresentava traços arquitectónicos diferentes dos actuais, ostentando mais um pequeno arco na parte do termo de Carção, pressupondo que do lado de Vimioso deveria existir também um arco idêntico, retirados com as obras feitas nessa altura.

            A sua importância perdurou até metade do século XX, altura em que se fez uma nova estrada, alcatroada e a nomeada Ponte Nova.

            Presentemente, a Ponte Velha que tanta importância teve durante vários séculos, encontra-se um pouco ao abandono e esquecida dos populares. Algumas das paredes foram ruindo e outras estragadas por mentes rudes, mas ultimamente já foram realizadas algumas obras e a sua presença promete perdurar por muitos mais anos.  

            Não deixe de visitar esta maravilha, pois ficará rendido à sua imponência e beleza extrema.

 

 

publicado por almocreve às 02:38
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Quinta-feira, 15 de Março de 2007

2ª Proposta às 7 Maravihas de Carção

Capela de Santa Marinha

           

            A capela de Santa Marinha situa-se no centro da povoação, no largo Luís dos Santos, num dos locais mais emblemáticos da povoação.

            Não existem menções documentais acerca da edificação deste pequeno edifício. A primeira referência encontrada data já de 1751 pelo Pe. Luíz Cardoso, onde refere: “Há dentro deste lugar as Ermidas de S. Roque, S. Estêvão e S. Marinha”, mas é muito provável que o culto a Santa Marinha e seu edifício, venham já de tempos mais remotos.

            Na verga da porta da fachada frontal do edifício existe uma inscrição que data de 1777, como registo da sua edificação. É possível que quando o Pe. Luiz Cardoso faz referência a esta capela, já se deveria encontrar em mau estado e fosse reedificada ou então restaurada em 1777.

            Quanto à arquitectura é de planta rectangular. A fachada frontal ostenta alguns degraus em direcção à porta, um óculo (imitando uma rosácea) e no topo, uma pequena e elegante torre sineira.

            Presentemente, a veneração a Santa Marinha perdeu todo o seu fulgor, embora ainda se prestem alguns cultos. É também utilizada pelos populares em algumas épocas festivas importantes tais como o Domingo de Ramos e a missa campal da Senhora das Graças no Sábado. De alguns anos a esta parte, também tem vindo a servir de capela mortuária.

            Para finalizar o nosso roteiro histórico sobre esta maravilha, citamos a seguinte quadra, referenciada na última edição da Almocreve:

 

                                                Adeus ó Santa Marinha escondida,

                                                Na ermida onde escutas os meus ais,

                                                Nos degraus das tuas escadas,

                                               Contos de réis e de fadas, contavam os nossos pais.

 

            Se souber mais informações acerca deste edifício por favor, envie-nos.

publicado por almocreve às 23:51
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Terça-feira, 13 de Março de 2007

1ª Proposta às 7 Maravilhas de Carção

 

Igreja Matriz de Carção

      

       Vamos começar a apresentar uma das propostas para a eleição das 7 maravilhas de Carção .

       Nos próximos três meses (até 7 - 7 - 7) iremos percorrer e dar a conhecer um pouco da história de cada uma das obras. Sempre que saiba informações que possamos acrescentar à nossa pesquisa, agradecemos, sendo esse um dos objectivos - angariar o máximo de factos históricos sobre cada uma das propostas.

       Iniciamos o nosso percurso pela Igreja Matriz. Como acontece em grande parte do país, este é um dos edificios mais importantes, onde o homem desfruta de variadíssimos sentimentos.

       Se as pedras deste imponente edifício falassem, com toda a certeza iriam contar-nos uma imensidão de histórias que se passaram no decorrer dos séculos. Alguns desses momentos são tristes e aterradores, que marcaram uma época de grande obscuridade. Quando os judeus eram condenados à fogueira, os seus nomes e esboços eram exibidos na capela-mor como forma de intimidação para os restantes cristãos-novos "...não foi por isso que foram processados, mas sim por tirar da igreja de Carção «alguns retratos de pessoas que foram relaxadas à justiça secular e nela estavam postos por ordem do Santo Ofício»" - ver Almocreve n-º 1 pp. 31-37. Foi também um espaço de divisões sociais. Em tempos, o espaço interior da igreja estava dividido ao meio por uma grande grade: os cristãos-novos eram reencaminhados para um lado e os cristãos-velhos para outro, não havendo misturas étnicas. Por vezes o edificio servia também de segurança e refúgio à população. A minha avó contou-me que a dada altura, numa bonita noite estrelada, de repente tudo se modificou e as estrelas começaram a cair do céu. Sem grande demora, os sinos começaram a dar o alerta e toda a população se refugiou dentro do edificio , pensando que chegara o dia do Juízo Final. A torre, quando algo anómalo surgia, dava sempre o primeiro alerta ou orientação aos populares. Para cada uma das situações, os sons produzidos eram alterados: incêndios, catástrofes, baptismos, casamentos, mortes, festas religiosas... 

       Este velhinho edifício, orago de Santa Cruz, fora já referenciada em 1296, nas Inquirições de El-Rei D. Afonso III no julgado de Algoso , onde se diz que tanto Carção como a igreja pertenciam ao Rei D. Afonso Henriques e que o pároco era eleito pelo povo, mas o Rei D. Sancho I doou-a a D. Facundo, fidalgo de Leão e este deu depois parte do seu senhorio à Ordem do Hospital.

       Através deste documento, podemos concluir que a primitiva igreja de Carção era um templo medieval de características românicas e que, segundo alguns autores, desaparecera talvez devido ao mau estado que se encontrava por algum incêndio que tenha deflagrado.

       Na travinca da fechadura da porta da sacristia estava gravada esta legenda: «1753. Rego me fez».

       Segundo P. Miranda Lopes “nos primeiros séculos da nossa monarquia, Carção pertencia à Terra de Miranda; deveria ser o seu senhorio e o Vigário de Miranda delegado do Arcebispo de Braga, quem nomeava os capelões da sua igreja, segundo direito de padroado, que cada um tinha”.

       O padroado da igreja de Carção passou para a Sé de Miranda em 1546, um ano depois da fundação da Diocese de Miranda do Douro, onde então principiou a apresentar nela os seus curas.

       Segundo ainda P. Miranda Lopes: “o cura de Carção recebia seis mil réis em dinheiro, dois alqueires de trigo, dois almudes de vinho e o rendimento do pé de altar.

       O mesmo estipêndio era atribuído aos curas das outras igrejas do Cabido. O muito mais que o povo dava, era para as prebendas dos felizes cónegos da Sé”.

Só a partir de 1692 é que se encontram algumas contas registadas no livro de contas das prebendas das igrejas da Mesa Capitular, respeitantes à capela-mor de Carção .

       No ano de 1742, telhou-se a capela-mor e arranjaram-se os degraus do supedâeo da capela-mor.

            No ano de 1749 consertou-se a sacristia, o telhado da capela-mor e a despesa foi feita à custa do cabido.

       Fez-se um pequeno conserto no telhado da capela-mor no ano de 1754, mas a obra de maior vulto e mais cara foi construída entre 1758 e 1765.

       António Mourinho refere que acredita que fosse mais pelos anos de 1763/64. Foi a obra da capela-mor que se fez nova de raiz. Gastou o cabido com esta obra a quantia de 135.000 réis e despendeu mais 1.0000 réis com o concerto do arco cruzeiro.  

       Também na mesma altura, fez-se o madeiramento da capela-mor e sacristia e gastou a quantia de 76.000 réis.

       António Mourinho refere ainda: “No ano de 1768/69 já a capela-mor estava concluída e manda fazer-se a vidraça com ferros e rede para a fresta o que custou 3.400 réis.

       Em 1817 os moradores de Carção fazem uma exposição ao rei D. João VI mostrando-lhe o estado de ruína em que se encontrava a igreja. Talvez fosse a parte da nave e o campanário”.

       A igreja foi realmente reconstruída sem grande demora, seguindo a técnica arquitectónica da capela-mor, mas não há dúvidas que o campanário e alguns elementos que apresenta são já do século XIX, como é por exemplo o janelão da torre da fachada.

       Segundo António Mourinho “Foi sem dúvida o cabido que apresentou a planta para a capela-mor e foi o mesmo que contratou os artistas para a construir. Como vimos, a obra foi paga pelo mesmo cabido e era ela que cuidava de todas as obras necessárias à construção e reparo da capela-mor e sacristia.

       Apareceu-nos um documento que atrás citámos e que data de 1817, onde podemos ver que já não era o cabido que dispunha, mas a mesa de Consciência e Ordens. Devia ter sido debaixo da orientação do arquitecto real que a obra do corpo e campanário da igreja de Carção se construíram, pena é que não saibamos os artistas que trabalharam nesta obra e todos os custos. A obra deveria ter sido acabada antes de 1820.

       A igreja de Santa Cruz é de planta rectangular, muito simples, como a capela-mor e sacristia do lado do Evangelho.

       Se tiver conhecimento de outras informações acerta deste tema, não exite em enviar-nos. 

       Para ler mais sobre o assunto, ver: Almocreve, n.º 1, pp.23 à 27.     

publicado por almocreve às 00:32
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Sábado, 10 de Março de 2007

AS 7 Maravilhas de Carção

Numa altura que está em processo a votação para as 7 Maravilhas do Mundo Moderno e Portugal tomar como iniciativa eleger as suas 7 Maravilhas, a ALMOCREVE, como não podia ficar para traz, tomou a liberdade de propor a eleição das 7 Maravilhas de Carção!... é uma pequena brincadeira, mas pensamos que poderá ser muito interessante e levar-nos a respeitar e valorizar o nosso património (o que de melhor Carção tem para nos oferecer). Até ao momento seleccionamos os seguintes monumentos ou obras:

 

Igreja de Santa Cruz (Matriz)

Capela de Santa Marinha

Ponte românica sobre o rio Maçãs (Ponte Velha)

Ponte Nova

Retábulo de São Roque

Retábulo de Santa Marinha

Coreto

Fonte (Largo das Fontes)

Cruzeiro de Santo Estêvão

Cruzeiro de Vale Palácios

Cruzeiro do Bairro de Cima

Senhora das Graças

Largo Padre Amandio Lopes

Escola Primária

Lar da 3ª Idade

 

Se tiver mais alguns monumentos que ache relevante e ainda não tenham sido inseridos nesta selecção, então envie-nos a sugestão.

publicado por almocreve às 03:30
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Quinta-feira, 8 de Março de 2007

Outro género de fechaduras...

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Este tipo de fechaduras, embora bem mais humildes, são também de grande interesse. Usualmente surgem-nos nas portas das lojas dos animais.

Por serem trabalhadas em madeira e se danificar mais rapidamente, presentemente são já muito poucos os exemplares visiveis em Carção.

publicado por almocreve às 02:04
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Carabelho típico

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Embora apresente traços mais simples, é também um exemplar bastante interessante

publicado por almocreve às 01:59
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Mais uma proposta para a capa da ALMOCREVE (2008)

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Pormenor de um "carabelho" e fechadura da porta de uma velha moradia em Carção

publicado por almocreve às 01:10
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Mais uma proposta para a capa

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Outro "carabelho" típico das portas das moradias de Carção

publicado por almocreve às 00:59
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Segunda-feira, 5 de Março de 2007

Ajude-nos a escolher uma imagem para a capa da revista ALMOCREVE (2008)

o seu contributo é importante para nós.

deixe a sua opinião de qual a imagem que mais se enquadra para a edição 2008 ou outras ideias que nos possam ajudar a melhorar.

publicado por almocreve às 23:02
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Proposta de imagem para a capa da revista ALMOCREVE (2008)

0000a5qk

Exemplar de uma fechadura típica das portas de algumas moradias em Carção

(actualmente ainda podemos verificar alguns exemplares)

esta imagem, na minha opinião é das mais interessantes, mas contamos com a vossa ajuda, dizendo-nos qual a imagem que mais gosta.

publicado por almocreve às 22:47
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proposta para a capa da revista ALMOCREVE (2008)

0000cde3

Um dos recantos mais encantadores (rio Maçãs - junto à Ponte Velha)

publicado por almocreve às 22:39
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